Outro dia, dei uma dica a uma amiga de trabalho que tinha dificuldades em escrever e em falar algumas palavras, digamos, menos coloquiais. Falei pra ela que quem lê muito geralmente escreve e fala bem. Até me dispus a emprestar o livro "O mundo de Sofia", meu favorito. Ela fez cara de nojo e disse: - "eu até já li umas 15 páginas desse livro, mas... eu não gosto de livros sem figuras". Eu quase tive um ataque! Ela é universitária, nunca pensei ouvir esse tipo de comentário de alguém que cursasse o nível superior e muito menos num ambiente de trabalho. O fato é que a cada dia parece que estamos menos preparados pra o mundo, para a área de empresa privada. Exemplo disso, é a dificuldade para encontrar alguém pra exercer a função que exerço atualmente na empresa em que trabalho. Foram 4 meses de seleções intermináveis. Não sou a perfeita funcionária, mas fui a que mais se aproximou do perfil desejado. Outra dificuldade, na mesma empresa foi quanto a seleção pra supervisora de atendimento. Nooossa, muito longa, dezenas de candidatas, mas sempre faltava um "quê" de experiência. A maioria era formada mas mesmo assim eram nítidas a insegurança e imaturidade dos profissionais recém-lançados no mercado de trabalho. Acho que muitos estudantes são meros expectadores nos bancos das universidades. Conseguiram passar no vestibular e acreditam que apenas isto vai abrir as portas do mercado de trabalho. Ilusão... Por que se lê tão pouco? Cadê os estudantes sedentos por conhecimento? Estagiários que aceitam um estágio não remunerado somente para adquirir conhecimento, experiência? Grupos de estudos, salas de discussão na net. Hoje boa parte dos jovens usa a internet para ver perfil no orkut e agora postar msg no twitter. Até o orkut podia ser utilizado como fonte de conhecimento, há milhares de comunidades a respeito das mais diversas áreas profissionais. Pagar matéria eletiva, nem pensar! Os estudantes já acham sua carga horária obrigatória "pesada". Iniciação científica? Coisa de nerd, chumbeta. É bom deixar beeeem claro que NÃO ESTOU GENERALIZANDO! Há, claro, louváveis exceções. Pois é. Quem é disciplinado, determinado e gosta de estudar, com sorte acaba entrando num cargo público. Os demais, que se encaixam na descrição que fiz acima, certamente vão terminar a vida como auxiliares administrativos ou vendedores no comércio (sem desmerecer as funções) ganhando pouco mais que um salário e pensando no que poderia ter sido...

1 comentários:
Não seja por isso, já tive professor que não gostava de ler e dizia na cara dura que esse negócio de ‘ler para escrever bem’ é balela. E o infeliz é doutor e dá lições de que devemos ler aquilo que nos interessa na hora que interessa. Como se o mundo fosse nosso umbigo.
Acuso o baixo nível educacional do país, pois, o gosto por ler, para mim, foi um hábito mais doméstico do que escolar. Ainda ontem discutia com meu namorado como os professores obrigam os alunos em séries iniciais a devorar paradidáticos que exigem uma experiência maior deles. Eu, por exemplo, li “O Guarani” na 5ª série, por imposição, e odiei. Só entendi seu sentido real – relacionando narrativa com contexto histórico – anos depois. Deve acontecer o mesmo com alguém que não gosta da leitura e folheia “O mundo de Sofia” – excelente, aliás.
Enfim, acho que ler é um habito paulatino. Começar é o mais importante que tudo – gibis, revistas, romances, teses, enfim. E o amanhã a gente deixa para depois.
Abraço.
Isolda.
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