sexta-feira, 2 de julho de 2010

*Utopia*

Ao voltar de Recife recentemente, observei dentro do ônibus em que eu estava, alguns vendedores ambulantes de doces, amendoins, frutas e coisas afins. Eles entravam, um de cada vez e tentavam com seus argumentos de venda nos empurrar seus produtos. Virei-me para Lucas e comentei: "Tenho uma pena destes vendedores". Apesar de ter dito somente isto, estou certa de que Lucas me entendeu bem. Pra vocês vou explicar agora. É muito honesto da parte deles tomarem a iniciativa de tentar fazer algo pra sobrevivência. Sabemos que muitos aproveitam o fato de não terem tido oportunidades boas na vida pra fazer o mal, praticar atos ilícitos. Aqueles, os do ônibus, fizeram diferente, pois apesar de também não terem tido boas oportunidades na vida, escolheram um caminho do bem. Acho que todos concordamos com isto. Mas ainda assim, sabendo de tudo isto, sinto muita comoção quando vejo um vendedor ambulante de bar em bar tarde da noite, dentro de ônibus, na praia trabalhando debaixo de um sol forte, num calor de 30ºC num domingo. Apesar de saber que ganham a vida honestamente com o tal "suor do trabalho", fico de coração partido pensando em tudo o que eles não tem, não fazem, não comem. Fico pensando o que será que passa pela cabeça deles a cada não que recebem. Penso o que fazem quando chegam em casa, se é quem tem uma casa. Fico imaginando se eles comemoram o Natal, o Carnaval, os aniversários deles mesmos. Muitas vezes chego até a sentir culpa por eu ter uma vida  diferente. Quem aqui nunca comprou algo que não queria de um destes ambulantes apenas pra ajudar?? Então sabem bem o que estou querendo dizer com esta postagem. Seria muito bom que esta diferença  social não fosse tão grande. Desejei, naquela viagem, que os filhos deles tivessem melhores chances na vida. Desejo sempre que, apesar da vida difícil, na simplicidade deles, pelo menos, eles sejam felizes da maneira que der.

Imagem: O Vendedor de Frutas, Tarsila do Amaral (www.tarsiladoamaral.com.br)

2 comentários:

Andrezza de Oliveira disse...

Boa reflexão!! "O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem"... (Guimarães Rosa) Infelizmente existem esses acontecimentos tristes e dolorosos, mas viver é arriscado, né? Eu tbm desejo sempre, no mínimo, o máximo de saúde, paz e felicidades pra TODOS eles! Que Deus os abençoe sempre. bjooos

Dário Júnior disse...

Eu tbm já fui um vendedor ambulante, lembra?, e não me queixo de tê-lo sido.E sentir pena ou culpa por isso não ajuda muito, há niveis de permissão para tudo, se estamos onde estamos é por mérito ou demérito.
Acalme seu coração e não sinta-se um carrasco diante da grande diferença social em que vivemos.
Bjos Dário Júnior